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Yoga para crianças especiais
e fonoaudiologia
Renata Sumar Gaertner
Quando
escolhi a
fonoaudiologia
como
profissão,
o fiz
porque
sentia
que
com
este
trabalho completaria o
que
já
vinha desenvolvendo
dentro
do yoga
com
bebês
e
crianças (especiais
e
normais). No
momento
que ingressei
na
faculdade,
percebi
que o
curso
era
exatamente
o
que
eu estava buscando – havia
um GAP na
área de
fala
e
linguagem
dentro
do
trabalho
que
desenvolvia a
cada
aula de yoga,
e
que
foi conquistado
através
do
curso de
fonoaudiologia.
Eu
me senti
mais
confiante no
trabalho
com
as
crianças,
percebendo
que
possuía as
ferramentas
necessárias
em todas as
áreas
de
desenvolvimento
para
estimulá-los.
Entretanto,
isto ficou
ainda
mais
claro
quando
eu comecei a
estagiar
na Clínica-escola da
faculdade. Foi neste
momento
que comecei a
perceber
o
quanto o Yoga
me
ajudaria
dentro
da
fonoaudiologia.
A
primeira
coisa
que percebi
foi
que
os
meus
clientes
de fono
que
também
praticavam yoga
em
nossa
escola, eram
mais centrados e se concentravam
com
maior
facilidade na
atividade
sugerida do
que os
meus
clientes da
clínica.
Mais
importante
ainda, havia
uma
significante
diferença na
maneira
que
eles respiravam.
Eu
não dei
muita
importância
para
isso no
início,
mais
agora (10
anos
depois) tenho
certeza
que o Yoga tem
imenso
valor
como
terapia
adjunta de
minha
outra
profissão.
Vários
estudos
me provaram
que
yoga e
fonoaudiologia
podem
trabalhar de
mãos
juntas
na
reabilitação
de
crianças
especiais,
facilitando o
desenvolvimento
motor,
cognitivo,
social
e de
fala e
linguagem
da
criança.
Então,
qual
seria a
ponte
entre
o yoga e a
fonoaudiologia?
A
respiração! Do
ponto
de
vista yogi,
respiração
é prana
ou
energia
vital. As
forças
do
movimento,
calor,
integridade
estrutural e
mesmo da
consciência
são todas
manifestações
do prana.
Sem
este
energia
vital,
nossos
corpos iriam
simplesmente
retornar
aos
elementos
pelos
quais
foram
originalmente
compostos.
O Yoga
nos
ensina
a
controlar
o
fluxo de prana
dentro
do
corpo.
Através
da
prática
de pranayama (exercícios
respiratórios
do yoga) e
respiração
abdominal
profunda,
o
aluno é
capaz de
aumentar
a
quantidade
de
oxigênio/prana
inalado e de
utilizar
esta
energia
para
construir
um
sistema
imunológico
mais
forte
e
superar
várias
doenças
físicas.
A
forma
que respiramos tem
um
efeito
profundo
em
nosso
sistema
nervoso. A
maior
parte
das
pessoas
utilizam
apenas
1/7 da
capacidade
total dos
pulmões.
Nossas
células
cerebrais
requerem
três
vezes
mais
oxigênio
do
que outras
células
em
nosso
corpo.
Quando
reequilibramos a
respiração
e aumentamos a
quantidade de
oxigênio
nas
células
cerebrais,
ajudamos a
fortalecer e
revitalizar
o
sistemas
nervoso
somático e
autônomo.
Quando
praticado
com
regularidade, o pranayama tem
também
um
poderoso
efeito
estabilizador
da
mente e das
emoções.
Do
ponto de
vista
fonoaudiológico, vemos a
respiração
como a
base da
fala.
Todas as
palavras
e
sentenças
em
são
produzidas
durante
a
expiração. Ao
final
de
cada
sentença,
é
necessário
que voltemos a
inspirar
rapidamente, e
seguir falando a
próxima
sentença. Uma
vez
que a
maioria
das
sentenças
duram
algo
em
cerca de 2 a 15
segundos,
a
dinâmica da
respiração
requer
um
controle
suficiente da
mesma
para
que
você
tenha
tempo
suficiente
para
completar
a
sua
sentença
e
não
ficar
sem
ar.
Na
maioria
dos
casos, a
respiração
do
bebê
é acelerada (40 a 45
vezes
por
minuto),
variando consideravelmente
freqüência,
amplitude e
ritmo.
Durante
o
primeiro
ano de
vida, a
medida
que a
respiração
vai se tornando
mais
regulada
e
lenta (25 a 35
vezes
por
minuto),
o
bebê
aprende a
produzir uma
infinidade
de
sons
que
depois
serão
agrupados de
maneira
coerente a
formas
palavras. As
crianças,
entretanto,
não seguem
um
mesmo
padrão
de
desenvolvimento.
Uma
criança
portadora de
paralisia
cerebral
ou
com
alguma
desordem
motora
mais
severa,
provavelmente vai
respirar de
maneira
mais acelerada
ou
irregular
mantendo o
padrão
que
tinha
quando
ainda
bebê.
Este
padrão pode
muitas
vezes
durar
por
anos.
De uma
forma
em
geral, a
velocidade da
respiração
de uma
criança
depende do
tipo de
atividade
que
ela realiza.
Como
um
exemplo,
percebemos estas mudanças
quando
ela se senta,
balança
a
cabeça
ou
movimenta
os
braços
ou
ombros.
A
respiração se
move
mais
depressa
para
oxigenar
o
sangue,
que irá
nutrir
as
células dos
músculos
para
que o
movimento
desejado seja realizado. Se os
músculos
do
pescoço,
tronco
ou
ombros,
juntamente
com a
coluna
vertebral
não estão
apropriadamente
alinhados, o
movimento
necessitará de
um
esforço
maior
para
ser
realizado, resultando
em
maior
esforço do
diafragma
e das
costelas
que
não
poderão se
movimentar
livremente.
O
correto
alinhamento do
corpo
propiciará a
criança
maior
facilidade
em
respirar
mais
profundamente
e
com
menos
esforço.
Por esta
razão,
nós
não deveríamos
nunca
considerar
o
desenvolvimento
apropriado
de
fala e
linguagem
como
algo separado da
nossa
fisiologia. É
melhor
pensar
nele
como
parte de
um
processo
dinâmico
que estabelece
padrões
saudáveis e
previne os
não
saudáveis.
Durante
a
prática
dos ásanas (posições),
alongamos
diferentes
músculos do
nosso
corpo
e
isto
ajuda a
dissolver
tensões e
manter o
alinhamento
de
tronco,
quadris,
pescoço,
braços e
pernas.
Uma
vez
que
todos
os
movimentos se
originam na
coluna
e dela partem
para
as
extremidades,
podemos
perceber
que flexibilidade e
alinhamento
correto
são a
chave
para
melhor
realizar
qualquer
atividade
que envolva
movimento,
seja
ela motora
grossa
ou
mais refinada.
Em nossas
aulas de yoga
com
crianças
geralmente
não utilizamos
brinquedos
ou “props”.
Isto faz
com
que
elas se concentrem
mais na
própria
respiração, no
movimento de
grupos
específicos de
músculos e nas
sensações
em
cada
posição.
Através de
repetições
verbais e
toques
quando
necessário,
nós encorajamos
nossos
alunos a
desenvolver
consciência
corporal,
confiança e
concentração.
A
maior
parte
das
crianças
com
desordens
de
desenvolvimento
claramente
entendem o
conceito
de
linguagem e
tentam se
comunicar
ainda
pequenas.
Para
podermos
dar a estas
crianças
oportunidades
suficientes
de
desenvolvimento,
devemos
começar
o
trabalho
o
mais
cedo
possível
–
este é o
princípio
por
trás da
intervenção
precoce.
Existem
três
tipos
de tonicidade muscular
que podem
afetar
a
habilidade da
criança
em se
comunicar:
1)
hipotonia
(
baixa
tonicidade muscular)
2)
hipertonia (
tensão
excessiva
muscular)
3)
tonicidade muscular
flutuante
(
hora hipo
ora hipertonia)
Crianças
portadoras de
Síndrome de Down têm
hipotonia
e
isso faz
com
que
normalmente
tenham
dificuldade
em
coordenar os
movimentos
de
lábios,
língua
e
mandíbula.
Hipertrofia de
adenóides
e
tonsilas
palatinas
juntamente
com
recorrência
de
alergias
ou
gripes
aumentam a
tendência
já existente
destas
crianças
em
respirar
pela
boca, o
que consequentemente pode
afetar
a inteligibilidade da
articulação,
fluência,
seqüência
e
ressonância da
fala.
Estando
atento
a
maneira
com
que
a
criança
respira
e na
postura dela,
o
professor
de yoga pode
determinar
quais
serão os
asanas
apropriados
para
desenvolver
a tonicidade
correta
da
musculatura
e
alinhamento
corporal,
e
quais
exercícios
respiratórios
– pranayamas –
que
irão
auxiliar no
desenvolvimento
de uma
melhor
respiração e
encorajar a
criança
a
respirar
pelas
narinas.
Crianças
com
paralisia
cerebral
geralmente
tem limitadas as
habilidades
motoras e
orais,
devido
a uma hipertonia
ou
flutuação
de tonicidade muscular. A
fala
para
acontecer,
depende da
coordenação
de
músculos
que envolvem a
respiração
( o
diafragma ),
fonação
(pregas
vocais),
e
articulação (lábios,
língua e
mandíbula).
A
prática
de ásanas,
seguida
de relaxamento
profundo
(que é
realizado ao
final
de
cada
prática de yoga
em
nossa
escola),
facilita o
trabalho do
fonoaudiólogo
pois
auxilia na normalização desta tonicidade muscular
excessiva
ou
flutuante.
Os pranayamas melhoram a
respiração,
pois
“abrem” o
peito e fortalecem o
diafragma;
eles
também
melhoram as
funções
dos
nervos,
que estão
diretamente
conectados a
execução
de
atividades
motoras.
Concluindo, a
respiração
correta é uma
das
chaves
para
correção
ou
melhora
de
desordens da
comunicação.
Os
exercícios
respiratórios
do Yoga
não
apenas
ensinam a
respirar
corretamente
como
beneficiam o
praticante,
pois
oxigenam o
sangue
e fortalecem o
sistema
nervoso
central.
Os
benefícios do
yoga se estendem à
pessoas
de todas as
idades,
desde a
vida intra-uterina (quando
a
mãe pratica
yoga
durante
a
gravidez)
até a
pessoa
mais
idosa,
passando
pelos
bebês,
crianças
e
adultos.
Adolescentes
ou
adultos,
podem
ter alguma
desordem
de
fala
ou
voz
simplesmente
porque
não sabem
coordenar a
respiração
e
fala. Nestes
casos, utilizo
em
minha
prática fonoaudiológica,
técnicas
respiratórias do yoga
para
ensiná-los a
respirar
corretamente e
utilizarem
melhor
a
capacidade
pulmonar
que possuem (normalmente
as
pessoas
utilizam
apenas
1/7 de
nossa
capacidade
pulmonar). Uma
vez
que
eles estão respirando
mais
profundamente
e recebendo adequada
quantidade
de
oxigênio,
todos os
sistemas
funcionam de
forma
melhor.
Daí é
só
coordenar
isto à
fala e conseguimos
melhorar
os
resultados
dentro
da
terapia
fonoaudiológica.
Renata Sumar é professora de yoga
em
Belo
Horizonte
e
Fonoaudióloga
com
Título de
especialista
na
área de
linguagem.
E-mail:
renata@yogaintegralbrasil.com
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por favor, cite a fonte. Namaste! Renata
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