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Mantendo o
propósito de sua prática
de Hatha Yoga em mente
Swami
Asokananda
Qual é o propósito de sua prática de Hatha Yoga? Porque você
pratica? O que você está esperando atingir através de sua prática?
Assim como o Sutras do Yoga de Patanjali são uma forma de texto
definitiva sobre o Raja Yoga, o Hatha Yoga Pradipika de Svatmarama é o
texto mais importante do Hatha Yoga. Os dois primeiros versos dessa
escritura não deixam dúvidas com relação ao por quê uma pessoa deve
praticar asanas e pranayama:
A
ciência do Hatha Yoga brilha e serve como escada paga aquele que aspira
a subir ao mais alto grau no Raja Yoga. (1.1)
A
ciência do Hatha Yoga é ensinada apenas por causa do Raja Yoga. (1.2)
Svatmarama
diz claramente que ásana e pranayamas são necessários para atingir a
meta do Raja Yoga (chitta vritti
nirodaha). Quando nós estamos tentando subir uma escada
de oito degraus que tenha dois degraus faltando, a nossa subida
fica mais difícil. Svatmarama entretanto enfatiza que esses dois
“galhos” não devem estar sozinhos; que a escada do yogi é composta
de dois degraus que precedem asanas e Pránáyáma e de quatro degraus
que o seguem. Mais especificamente, se asanas e Pránáyáma são
praticados fora da real e completa ciência do yoga – se Yamas e
Nyamas, assim como pratyahara, dhárana, dhyana e samadhi não são
considerados na prática (ou sádhana) de uma pessoa - esses dois galhos
não devem ser considerados Yoga.
Pessoas leigas dizem que estão praticando Yoga, mas Svatmarama
provavelmente não chamaria isso de yoga.
As
escrituras dizem:
“Hatha
Yoga sem Raja Yoga e Raja Yoga sem Hatha Yoga não podem ser atingidos;
entretanto, o aspirante deve praticar os dois até a perfeição ser
atingida.”
Svatmarama,
de novo, chama atenção a ênfase dada ao primeiro verso sobre o papel
crucial do Hatha Yoga para que possamos atingir a meta do Raja Yoga.
Mas, aqui, ele também clareia a idéia de que o domínio do Hatha Yoga
não será atingido sem a integração dos outros “galhos” do Yoga
em nossa vida diária. Nós podemos ser capazes de fazer posturas difíceis,
mantê-las por um grande tempo, e ser chamados de Yogins avançados, mas
sem entender o que asana é realmente.
Como
professores de Yoga, nós sabemos que a muitos, ou até mesmo a maioria
dos nossos alunos que vêm a procura do Hatha Yoga, não estão ali
“only for the sake of Raja Yoga”. Eles estão ali provavelmente por
razões mais mundanas como o corpo, e sentem que estão recebendo muitos
benefícios através da prática. Então, por que o autor é tão enfático
ao dizer que asanas e pranayamas são praticados apenas
como parte integrante de nossa prática de Raja Yoga?
Eu
venho então com 4 possíveis razões:
1.atitude
e motivação determinam quando algo deve ser chamado de Yoga.
Yoga
não é uma atividade. É a atitude, a motivação, e espírito no qual
nós realizamos a atividade que torna isso Yoga. Para Patanjali,
qualquer coisa que seja feita com o objetivo de “refinar” a mente (chitta)
para ir além (nirodahah) dos pensamentos (vrittis) é yoga. Para que
estas posições físicas e exercícios de respiração preencham estes
requisitos, eles devem ser praticados com o espírito de investigação
para que possamos descobrir o que está além do
“Self”, além do “eu”. Quando o Hatha Yoga é praticado
com este propósito, ele irá naturalmente nos levar em contato mais e
mais profundo do nosso ser.
É
nossa tarefa, como professores de Yoga, criar uma atmosfera em nossa
sala de aula onde Patanjali possa caminhar e dizer: “Agora, isto é
Yoga”. Então, quais seriam algumas das características básicas
deste tipo de aula?
A
aula de Hatha Yoga deve propiciar um estado de interiorização, de
instrospecção. Isto levará a uma atmosfera não competitiva onde
minimizamos a tentação do aluno em olhar outros mais flexíveis do que
eles, em se sentirem pressionados a atingir o mesmo que atingiram na
semana passada, ou em prestar atenção em qualquer outro corpo que não
seja o dele mesmo. A presença do professor deverá demonstrar
que uma atitude mais exteriorizada e as reações de raiva e
agressividade durante a prática – a longos termos; ou até mesmo em
um pequeno período de tempo – pode impedir o progresso do aluno.
Nosso papel como professores é de criar um ambiente seguro e
introspectivo onde a prática de asanas leve a mente a se tornar focada
e sensível tornando o asana uma meditação vibrante e, levando o aluno
ao pranamaya kosha e além dele.
2.Utilizar
o poder apropriadamente:
A
energia latente, ou shakti, acordada e aumentada durante a prática dos
asanas e pranayamas é muito poderosa. Para ter certeza de que esta
Shakti está sendo utilizada construtivamente, nós precisamos nos esforçar
para purificar a mente através de princípios éticos e dar um foco
espiritual à nossa vida na terra. Se o ego se apoderar da energia
acordada, daí nós podemos causar estragos na vida das pessoas e
fortalecer a divisão entre o nosso self e o nosso “Self”. (eu
inferior e Eu Superior)
3.Evitar
usar competência física como medida de progresso espiritual:
Se
medirmos a nosso sucesso como yogi
através da correlação entre a nossa competência física (ou
falta dela) com o estado de nossas almas, nós estamos nos colocando
numa situação problemática. Se nós nos medirmos com uma régua para
saber quanto erguemos nossas pernas no salabhásana ou por quanto tempo
podemos sentar em padmasana, nós nos sentiremos lançados à deriva no
momento que qualquer limitação física chegar. Por causa de lesões,
da idade, de pressões econômicas etc., nós podemos perceber
que muitas vezes o que podíamos fazer ontem, nós não podemos fazer
hoje. Iremos então nos considerar fracassados espiritualmente? Mesmo
aqueles que praticam há muito tempo podem cair nesta mentalidade.
Esther Mayers, enquanto se recuperava de câncer de mama, escreveu:
"Existiram muitos períodos de frustração e falta de esperança.
Fácil empregar que Yoga não é competitivo e que não tem nada a ver
com o a foto mostrada no livro. Eu muitas vezes me encontrei em lágrimas
olhando para a capa do meu livro e me perguntando se algum dia eu
poderia voltar a fazer cada posição de novo." Vamos manter em
mente que o corpo é o veículo que nos leva nesta jornada. Nós não
somos o veículo.
4.Para
atingir um máximo de benefícios:
Como
Svatmarama indica, se nós praticarmos os asanas apenas com a
perspectiva física, com a meta de corpo perfeito, nós nunca iremos
realmente dominá-los. Esse domínio, chamado asanajaya, é obtido
quando o corpo – anamaya kosha - é difundido com atenção consciente
quando estamos sintonizados com níveis profundos do nosso ser. Para
isso ser alcançado, meditação e os outros galhos do Raja Yoga são
necessários.
Você
consegue pensar em alguma outra razão para levar uma dimensão
espiritual à sua prática de yoga? Sem dúvida nenhuma, a maioria dos
alunos não está em sala de aula com o objetivo: Eu devo atingir
“chitta vritti nirodahah!”. Deus abençoe as pessoas que se propões
a estar em cima do tapetinho de Yoga seja qual for a razão que as
levaram até lá.
Como
professores, e especialmente, como professores de Hatha Yoga Integral,
nós devemos ser claros sobre o profundo e mais alto propósito de
nossa prática, e este propósito deve ser de alguma forma sutil ser
demonstrado em nossa aula de yoga.
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