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Os Sutras do
Yoga de Patanjali - Sutras I
e II do Livro I
LIVRO
UM
SAMADHI
PADA
Texto da
Contemplação
Aqui tem início
nosso estudo de Raja Yoga, ou Ashtanga (oito pares) Yoga, como algumas
vezes é chamado.Os Sutras do Yoga, como exposto pelo sábio Patanjali
Maharishi, constituem o primeiro e o mais importante escrito do Yoga.
Foi
Patanjali quem, cuidadosamente, coordenou o pensamento yogi e explicou-o
a seus alunos. Na medida em que expunha estes pensamentos, seus alunos
faziam anotações resumidas utilizando apenas poucas palavras que
vieram a ser conhecidas como Sutras.
O
sentido literal da palavra “sutras”é “linha”; estes Sutras são
apenas combinações de palavras alinhavadas- algumas vezes nem mesmo
sentenças bem formadas com sujeito , predicado e assim por diante.
Dentro do espaço desses 200 breves Sutras, toda a ciência do Yoga está
claramente delineada: seu objetivo, as práticas necessárias, os obstáculos
que você pode vir a encontrar em seu caminho,a remoção deles e descrições
precisas dos resultados que serão obtidos de tais práticas.
1.
ATHA YOGANUSASANAM.
Atha
= agora; Yoga = de yoga; anusasanam = exposição ou instrução
Agora
a exposição de Yoga está sendo feita.
Anusasanam
significa exposição ou instrução, porque não é mera filosofia o
que Patanjali pretende explicar, mas instruções diretas sobre como
praticar Yoga. Mera filosofia não irá satisfazer-no. Não podemos
atingir o objetivo apenas por meras palavras.Sem prática, nada pode ser
alcançado.
2.
YOGASCITTA VRTTI NIRODHAH.
Yogas
= Yoga; citta = da substância mental; Vritti = alterações; nirodhah =
contentação
O
Arquiamento das ondas mentais é Yoga.
Neste
Sutra, Patanjali apresenta-nos o objetivo do Yoga. Para um aluno
perspicaz, este Sutra seria suficiente, porque todos os restantes apenas
explicam. Se a contenção das alterações mentais for do Yoga é
baseada nisto. Patanjali apresentou a definição do Yoga e, ao mesmo
tempo, a prática.”Se você puder controlar as ondulações da mente,
você vivenciará o Yoga.”
Discutiremos agora o significado de cada palavra do Sutra. Em
geral, a palavra Yoga é traduzida como “união”, mas como união
necessária de duas coisas a serem unidas.Neste caso, o que se unirá a
quê? Assim, consideramos Yoga significando, aqui, a experiência Yogi.
A extraordinária experiência alcançada através do controle das ondas
mentais chama-se Yoga.
Chittam é a soma total da mente.Para ter uma imagem completa do
que Patanjali quer dizer com a palavra “mente”, você deve saber que
dentro do chittamhá diferentes níveis. A mente básica é chamada
ahamkara, ou o ego, o sentimento do “Eu”. Isto faz surgir o
intelecto ou faculdade de discernimento que é chamada buddhi. Outro nível
é chamado, manas, a parte da
mente que deseja,que sente atração pelas coisas exteriores através
dos sentidos.
Por exemplo, você está tranqüilamente sentado apreciando a paz
da solidão, quando um cheiro agradável vem da cozinha. No momento em
que manas percebe, “Estou sentido um cheiro agradável vindo de algum
lugar,” buddhi raciocina,”Que cheiro é esse ? Acho que é
queijo.Que bom! De que tipo!Suíço? Sim, é queijo suíço.” Assim
uma vez que buddhi decida, “Sim é um delicioso pedaço de queijo suíço,
como aquele saboreado na Suíça no ano passado”, ahamkara diz,”Oh,
então é isto?Então devo comer um pedaço agora”.Estas três coisas
acontecem uma de cada vez, mas tão rápido que raramente as
distinguimos.
Estas alterações dão origem ao desejo de comer o queijo.
Criou-se o desejo, e a não ser que o satisfaça indo até a cozinha e
comendo o queijo, sua mente não retornará à condição original de
paz.Está criando o desejo, conseqüentemente a vontade de satisfaze-lo
e,uma vez que o satisfaça, você estará de volta a sua original situação
de “paz”. Esta é a condição natural da mente. Mas estes chitta
vrittis, ou as alterações da substância mental perturbam esta paz.
Todas as alterações mentais têm origem nas diferenças
recebidas do mundo exterior. Por exemplo, imagine-se não tendo visto
seu pai deda que você nasceu e que ele retorne quando você tem dez
anos. Ele bate à porta. Abrindo-a, você vê um estranho. Corre para
dentro sua mãe, dizendo; “Mamãe, há um estranho lá fora”.Sua mãe
vai á porta e vê o marido que esteve longo tempo ausente. Com toda
alegria ela recebe e apresenta-o como seu pai.Você diz;”Oh, meu
pai!” Poucos minutos antes, era um estranho; agora, tornou-se seu pai.
Transformou-se em seu pai? Não; é a mesma pessoa.Você criou a idéia
do “estranho” depois a transformou em “papai”, só isto.
O mundo exterior é todo baseado em seus pensamentos e atitudes
mentais. O mundo inteiro é apenas sua própria projeção. Seus valores
podem mudar na fração de um segundo.
Hoje
você pode não querer mais ver alguém que foi seu querido amor de
ontem. Se nos lembrarmos disto, não sofremos tanto com as coisas que
nos rodeiam.
É por isto que o Yoga não se incomoda muito em mudar o mundo
exterior. Há um ditado sânscrito que diz: “Mana Eva manushyanam
Karanam bandha mokhayoho.” “O homem é aquilo que pensa; servidão
ou libertação estão na mente.” Sentir –se aprisionado é estar
aprisionado. Sentir-se liberto é estar liberto.As coisas lá fora nem o
aprisionam nem o libertam; somente sua atitude perante elas faz isto.
É
por isto que sempre que falo a prisioneiros,digo: “Todos vocês
sentem-se prisioneiros e esperam ansiosamente transpor estes muros.Mas
olhem para os guardas. Não são parecidos com vocês? Eles também estão
entre os meros. Mesmos que possam sair todas á noite, todas as manhas
vocês os vêem de volta. Eles adoram entrar aqui; vocês adorariam
sair. A clausura é a mesma. Para eles não é uma prisão;para vocês
é. Por que? Há alguma mudança nestes muros? Não, vocês sentem que
é uma prisão; eles que é um lugar para trabalhar e ganhar seu salário.
É a atitude mental. Se, ao invés de aprisionamento, pensaremos neste
lugar como um reformatório que lhes dá uma oportunidade de mudarem sua
atitude diante da vida, de reformarem e purificarem a si mesmos,adorarão
estar aqui até que se sintam purificados. Mesmo que lhes digam: ‘Seu
tempo acabou; podem ir’, poderão dizer: ‘Ainda não estou
purificado, senhor. Quero ficar aqui por mais algum tempo.’’’
De
fato, muitos destes prisioneiros continuaram a levar uma vida yogi mesmo
após deixar a prisão, e até mesmo foram gratos por sua vida na prisão.
Isto significa que eles compreenderam bem o que lhes foi dito.
Assim, se puder ter controle sobre suas formas de
pensamento e conseguir modifica-las como quiser, você não será
escravizado pelo mundo exterior. Não há nada de errado como mundo. Você
pode transformá-lo num céu ou num inferno de acordo com sua vontade.
É por isto que o Yoga é todo baseado no chitta vritti nirodhah. Se você
tem controle de sua mente, você tem controle de tudo. Assim, nada neste
mundo poderá aprisiona-lo.
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