“Temos
que
ser
capazes
de
reconhecer
um
hábito
quando
ele
se
manifesta,
porque
se soubermos
como
ele
se organiza,
ele
perderá
sua
energia
e
não
mais
poderá
nos
controlar...temos
que
praticar
para
poder
transformar
cada
hábito
dentro
de
nós.”
Thich Nhat Hanh
Ao
ler
pela
primeira
vez
estas
sentenças
de Thich Nhat Hanh,
elas
calaram
fundo
em
meu
ser.
Reconhecer
um
hábito
quando
ele
se
manifesta...
enfraquecê-lo... transformá-lo...
como
fazer
isso
sem
julgar
e se conscientizando de
que
você
pode
mudar.
Sabendo
que
muitas
vezes
somos apegados
mesmo
a
coisas
que
não
nos
fazem
bem
e muitas
vezes
nem
temos
consciência
disso...
como
nos
desapegar?
Estabelecer
um
novo
caminho...
Grande
caminhada
e
longa,
com
certeza.
Ao
tentar
refletir
mais
sobre
o
assunto,
pensei: se começamos no
yoga tentando
trabalhar
com
o
corpo
primeiro,
porque
não
também
quando
o
assunto
é
hábito?
Quantos
vícios
de
postura
temos?
Quanto
precisamos
estar
atentos
para
pisar,
andar,
sentar,
deitar
corretamente?
O
que
é
certo
para
uma
pessoa é
também
para
outra?
Achei
então
que
uma boa
maneira
de
começar
a
mudar os
meus
hábitos
seria levando
minha
atenção
plena
para
o
meu
corpo
durante
as
minhas
práticas
e percebendo-o
REALMENTE
de
dentro
para
fora.
Muitos
professores
de yoga falam
que
o yoga
trabalha
de
dentro
para
fora,
mas
o
que
seria
realmente
este
dentro?
Sendo uma
fã
de
anatomia
e
fisiologia
desde
muito
nova,
comecei
então
a
pesquisar
o
que
realmente
acontece
dentro
de
nosso
corpo
quando
praticamos yoga.
Como
os
ossos,
os
músculos,
os
tendões
se movimentam
junto
com
a
respiração
durante
uma
prática
de asanas. E
porque
algumas
pessoas
têm
tanta
facilidade
e outras
tanta
dificuldade
em
realizar
os asanas? Ok, uns
são
mais
encurtados do
que
os
outros...
mas
só
isso?
Não
me
satisfazia. E a
beleza do yoga
que
está
em
beneficiar
qualquer
praticante,
independente
do
grau
de flexibilidade
que
ele
tenha?
Com
provar
isso
para
o
meu
aluno?
Vamos
falar
um
pouco
então
sobre
alinhamento
e
espaço.
Alinhamento
do
corpo
durante
a
realização
dos asanas e o
espaço
criado
em
certas
articulações
para
que
os
músculos
e
tendões
sejam
seus
aliados
no
movimento
e
não
inimigos.
Eu
costumo
comparar
a
realização
de
um
asana e os
ajustes
que
fazemos
para
auxiliar
o
aluno
com
o
trabalho
de
um
escultor:
o
escultor
recebe uma
pedra
bruta,
enorme
e tem
que,
aos
poucos,
transformá-la
em
uma
obra
de
arte.
Ele
não
pode
começar
com
detalhes
de
rosto,
por
exemplo.
Precisa,
com
uma
ferramenta
maior,
tirar
grandes
pedaços
para
que
a
pedra
possa
começar
a
tomar
forma.
Este
tirar
grandes
pedaços,
são
de
fácil
compreensão,
mas
nem
sempre
nos
permite
ver
o
que
o
escultor
realmente
está tentando
fazer
(difícil
perceber
o
resultado
imediato).
Quando
o
corpo
começa
a
tomar uma
forma,
as
ferramentas
vão
diminuindo, é
mais
difícil
modelar
e
compreender
o
que
o
escultor
está querendo,
mas
ao
mesmo
tempo,
é
mais
fácil
perceber
o
resultado
imediato.
Assim
também
o
professor
recebe
um
aluno
novato
e
precisa
ajudá-lo a
posicionar
o
corpo
no asana desejado. Os
movimentos
iniciais
são
de
mais
fácil
compreensão
(ex.:
levar o
tronco
em
direção
às
pernas),
mas
o
resultado
que
o
professor
está querendo é
mais
difícil
de
compreender:
alongar
toda
parte
posterior
do
corpo,
flexionando o
tronco
a
partir dos
quadris e
não
permitindo
que
a
gravidade
apenas
“relaxe” o
tronco
à
frente,
deixando a
cabeça
pender
para
baixo
e os
ombros
se moverem
um
em
direção
ao
outro
e os
dois
em
direção
ao
peito,
“fechando o
coração”
e curvando a
dorsal
(movimentando as
escápulas
uma
para
longe
da
outra).
Os “pequenos
pedaços”,
envolvem a
compreensão
do
que
foi descrito
acima:
flexão
a
partir
dos quadris,
manter
colona
estável
e
forte,
cervical
também,
ombros
abertos,
escápulas
se movendo uma
em
direção à
outra,
para
que
o
coração
fique
aberto e
haja uma
força
não
permitindo
que
a
gravidade
apenas
empurre o
tronco
para
baixo
–
estes
movimentos
demandam
maior
concentração
e
dedicação,
mas
quando
realizados, sentimos o
resultado
imediato.
Por
melhor
que
seja o
escultor,
ele
nunca
consegue
fazer duas
obras
exatamente
iguais.
Da
mesma
forma,
não
é
possível
duas
pessoas
realizarem uma
posição
exatamente
iguais.
Assim
como
qualquer
coisa
que
estamos treinando
para
aprender
a
fazer,
este
trabalho
leva
tempo,
paciência,
perseverança e
vontade
de
mudar os
hábitos.
Para
que
você
possa
realizar
um
asana
bem,
você deve
conhecer
bem
o
seu
próprio
corpo.
Não
há
necessidade
que
você
saiba
o
nome
de
todos
os
músculos
e
ossos.
O
conhecimento
que
me
refiro é
mais
sutil
e
pessoal.
Por
isso
o
nome
do
artigo:
anatomia,
asanas e o
SEU
corpo.
Isto
porque
cada
corpo
é
diferente.
Mesmo
se pensarmos no
osso
fêmur,
que
a
maioria
de
nós
temos,
não
existem
dois
exatamente
iguais.
E esta é uma das
razões
pelas
quais
não
é
possível
que
duas
pessoas
realizem o
mesmo
asana de
forma
exatamente
igual.
Pois
este
osso
diferente
irá
gerar
compressões
em
diferentes
partes
de uma
articulação e
em
tempos
diferentes.
É
claro
que
a
estrutura
muscular
em
volta
também
irá
influenciar,
mas,
mais
uma
vez,
por
mais
que
tenhamos
um
mesmo
músculo
(com
mesmo
nome),
temos
histórias
de
vida
diferente
e a
maneira
que
estes
músculos
trabalham, sustentam e seguram a
estrutura
óssea
é
diferente
(isso
será
assunto
de
um
outro
artigo
a
ser
escrito
posteriormente).
Este
conhecimento
do
nosso
corpo
nos
faz
perceber
onde
não
estamos
alinhados
e se
um
músculo
está trabalhando
além
do
que
deveria e fazendo o
trabalho
de
outro
músculo.
Quando
isso
acontece,
esse
músculo
não
está colaborando
com
o
movimento
buscado
para
que
a
articulação
tenha
espaço
para
se
mover
para
chegar
ao asana
sem
tanto
esforço.
Segunda parte (em breve)
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